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A triste exploração da desgraça

por Francisco Proença de Carvalho, em 27.01.14

Começo a minha existência neste blog por dizer que me repudia o tratamento público da tragédia ocorrida no Meco. Acho abominável (vício de advogado, talvez) a forma como se especula sobre uma desgraça destas, como se culpabiliza nas entrelinhas (e sem provas) o sobrevivente, como se dá 5 minutos de fama a testemunhas que depois de ter acontecido obviamente já sabiam que ia acontecer, como se encontra numa colher de pau gigante o bode expiatório para uma tragédia. É típico da sociedade moderna a ideia de que tem que haver sempre um responsável. E, se não existir, tem que se inventar, porque essa coisa da culpa morrer solteira está démodé, não alimenta o prosecutor que há dentro de cada um de nós, não vende jornais. Como se a vida não fosse pródiga em azares, estupidezes, más opções, riscos absurdos e tragédias para as quais não há uma explicação racional.

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publicado às 13:08



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